terça-feira, 28 de julho de 2009

Histórias sobre música

Quando eu era criança e adolescente, me deparei com vários tipos de sujeito. Talvez eu lembre com detalhes de algumas histórias e passe a contar aqui no blog, mas, por enquanto, tenho só duas, relacionadas à música.

Deus deu o rock'n roll para Belém

Quando eu era criança, um vizinho, já adolescente, tinha acabado de comprar um cd usado do Kiss. Tratava-se do álbum Revenge, mas, na época, eu nem sabia. Como o pessoal não frescava na rua, ele colocou o som alto, na porta da casa dele. Alguns amigos foram se reunindo e apareceu um coroa bêbado, com aparência de cantor de brega, mas conhecido por curtir rock. O problema é que o sujeito acreditava saber inglês, e quando bêbado, era pior ainda. Vou chamar ele de Augusto, um nome fictício.

No final de "God Gave Rock'n Roll To You", a canção principal fica em segundo plano e o vocalista começa a falar umas coisas pros ouvintes, sobre o rock'n roll e tal. Quando tocou essa música, e chegou nessa parte, o bêbado começou a "traduzir" as palavras do vocalista, que, não me lembro muito bem, ficaram como:

"Você pode achar que Belém é uma cidade qualquer,
mas ali vivem os maiores fãs de rock da humanidade,
E principalmente meu grande amigo Augusto,
um exemplo para todos nós,
e mando um abraço pra cidade de Belém,
a cidade do rock'n roll"

Todo mundo riu. Belém como cidade do rock'n roll? O Augusto amigo do vocalista do Kiss? Parecia brincadeira, mas o bêbado tava falando sério, e ainda ficou muito puto quando riram dele. Disse que traduziu certo e tava pra armar a maior confusão, queria quebrar garrafa e matar todo mundo ali. Acabaram acalmando o sujeito.

Quando ele ficou sóbrio, não lembrava o ocorrido, e ria do que disseram que ele fez. Acontece que, em todo porre seguinte, ele parecia relembrar a história, e guardava ódio mortal dos que riram dele. Minha largura é que eu tava meio distante e nem ri, mas volta e meia ele passava doidão pela rua, dizendo que ia "matar todos esses moleques, junto com meu amigo do Kiss". Depois, dava umas risadas meio satânicas, meio engasgadas. Algo bem doente. Esse sujeito, sóbrio, era gente fina, mas porre era um psicótico, bem nóiado.

O exorcismo do Led Zeppelin

No início da adolescência, conheci um sujeito um pouco mais velho que eu. O cara era meio evangélico, não fanático, mas acreditava na sua religião e gostava de seguir as normas dela. Ele gostava muito de música, daquelas gospel, mas também gostava muito de rock. Sempre me contava que ficava cabreiro porque ele não deveria gostar dessas coisas, mas gostava mesmo assim. Um dia, despretenciosamente, mencionei que a música "Stairway to Heaven" do Led Zeppelin continha umas e outras mensagens subliminares, falando bem de Satanás e tal. O cara ficou desesperado, disse que era uma das músicas favoritas dele, que não podia acreditar que foi enganado esse tempo todo, que nunca mais iria ouvir aquilo.

No dia seguinte, ele me vara com um cd pirata, que continha a tal música. Disse que ouviu uma última vez ontem, como despedida, mas decidiu que não queria deixar de ouvir a música (será que Satanás já tinha enfeitiçado ele?). Ele me pediu pra mostrar a mensagem subliminar, pois iria exorcizar ela (!!!). Eu disse que não tinha como eu girar o cd ao contrário, mas podia passar pra ele um site que dava pra ouvir a mensagem. Passei o site e ele disse que ouviu, falou que começou a chorar, mas decidiu que tinha de ser forte. Ele falou que tacava água benta no disco, fazia oração e se benzia cada vez que a música tocava. Porra, ele fez tanta "benzeira" no disco, que se invertesse à música virava um sermão do Edir Macedo e ainda cobrava 10% de dízimo. O final foi feliz, ele achou a paz de espírito enquanto ouvia sua música.

Achei essa história bem estranha, o rapaz ficou agoniado com uma coisa dessas, com medo do diabo pegar ele, eu acho. Fico imaginando o tinhoso pulando da caixa de som e dizendo: "Hahaha! Peguei você, cordeirinho de Deus! Agora, vou te espetar eternamente, ao som de 'Stairway to Heaven'". Talvez o rapaz tivesse essas nóias, mesmo. Talvez o Led Zeppelin seja do capeta, também. Talvez devessemos levar todos os nossos bens materiais para benzer, pra que o capeta não tome forma neles.

sábado, 25 de julho de 2009

Chainsaw the Children

Este é um joguinho onde você acaba com pivetes que andam vandalizando a praia com seu nudismo, a moto-serra vai ajudar a pôr um pouco de disciplina na juventude transviada. É fundamental que você compare seus resultados com os de amigos, além de discutir formas de conter essas pragas sociais.

http://www.andkon.com/arcade/adventureaction/chainsawthechildren/

Utilize as setas do teclado para mover seu boneco, shift para correr e A para usar a moto-serra. O jogo conta placar pelo número de presuntos e quantas vezes você atacou o infeliz no ar sem deixar ele cair. Se o pivete subir na árvore, bote ela no chão. Deveria aparecer uns agentes do Greenpeace, que seriam tipo a polícia desse jogo, quando você cortasse árvores, então você esquartejava os desgraçados e usava o sangue deles como nutriente para florestas desvastadas. Esse pessoal tem que aprender a morrer pela causa.

Death Note

- Sabe, eu acho você é Kira - disse L para Light - você sempre utilizou este caderno pra matar as pessoas, não é?
- Que besteira, Ryuuzaki, você não tem provas para comprovar isso. - retrucou Light.

L então pegou uma caneta, e derrubou o rapaz no chão.

- Tu acha que és o único que pode matar os outros com uma caneta, é? Agora aprende que não preciso de prova pra nada, filho da puta.

Ao terminar de dizer isso, L cravou a caneta na jugular de Light, que pouco tempo teve para se debater. Depois que o rapaz parou de se mexer, L levantou-se, guardou a caneta, colocou as mãos no bolso e pôs-se a andar.

Nunca mais teve-se notícia de Kira. Os assassinatos pararam, e o mundo tornou-se um lugar melhor.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Suicídio

Matheus viu a garota ficar offline em seu MSN pela última vez. Ficou abalado. Decidiu cometer suicídio.

- Minha vida sem ela acabou - Repetia, sem cansar.

Procurou o apoio dos amigos, mas não os tinha mais: deu as costas para eles certa vez, e agora todos haviam dado-lhe as costas também. Percebeu que tinha ele mesmo dado a corda para que ele se enforcasse. Procurou aos familiares, mas sua alienação ao mundo exterior resultou na indiferença de seus parentes quanto a ele. Procurou todas as garotas que já tinha conhecido: nenhuma interessada em salvar-lhe do possível suicídio.

Pensou em se enforcar ao lembrar da metáfora da corda, mas desistiu. Quando viu que ninguém mais estava preocupado com ele, dirigiu-se uma linha de trem, e deitou-se serenamente sobre ele. Quando avistou o trem que vinha, desejou que alguém lhe tirasse de lá.

Mas ninguém veio, e lá morreu.

Milkman

A internet é cheia de coisas doentes, taí um exemplo clássico disto:

http://www.fat-pie.com/milkman.htm


Uma animação feita por David Firth, um artista experimental britânico, um dos poucos que não é totalmente gay. Antes isso que um texto longo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O ídolo


Gonçalves fora naqueles programas de televisão, cantar para os jurados.

"Nossa! Tua voz é uma merda!"
"Ah, eu até achei a canção bonitinha."
"Que nada! Esse cara é um lixo, nunca vai fazer sucesso!"
"Eu voto, não!"
"É, também voto pra esse cara se fuder!"
"Ah, sendo assim... Eu gostei muito de ti, mas também vou votar não."

- Vocês... Não vão me dar nem mais uma chance? Eu vim aqui passei por tudo isso... pra nada?

"É, rapá! Puxa o carro, cê já era!"
"Fica assim, não, vai. Você pode tentar outra coisa."
"Eu nem olho mais pra esse ridículo!"

Gonçalves saiu chorando, de tristeza e raiva. Começou a cantar músicas agressivas e logo chamou a atenção de um produtor musical que se aproveitava da pseudo-rebeldia de jovens para ganhar dinheiro.

- Você, como se chama?
- Gonçalves.
- Errado! Agora, você é Moltor! E será um homem de muito sucesso!

As músicas de Moltor chacoalhavam a internet e o iPods dos jovens, que se exaltavam com sua rebeldia. Os sonhos de fama e fortuna de Gonçalves estavam realizados, acordava e dormia rodeado de prostitutas e groupies, todas besuntadas de caviar e caros óleos indianos. Algo estava errado, havia uma dor em seu peito. O cantor entrava em sua limusine para mais um dia no estúdio. Um de seus poucos amigos, o chofer, perguntava, preocupado:

- O que houve, senhor Gonçalves? Noto que o senhor, hoje, está mais aflito que o comum.
- Por favor, no momento, desejo ser chamado de Moltor.
- Sim, Moltor. Por que esta aflição?
- Eu não entendo... Desde criança, sempre quis ser famoso, rico... Hoje tenho tudo, mas sinto que deixei algo importante no passado, algo que prende minha alma e impede minha felicidade.
- Está falando... "daquilo", senhor Moltor?
- Sim, Jarbas. Contate o Ribeiro, diga-lhe para usar minha influência e arranjar um encontro com antigos amigos.
- A vingança pode ser uma faca de dois gumes, senhor. Quem sabe o que pode resultar disso?
- Veremos, Jarbas. Veremos.

Os jurados acordaram. Estavam amordaçados e imobilizados, em um quarto de luminosidade baixa. Moltor adentra o recinto.

- Boa noite, senhores. Como estão? Vocês me conhecem, todos conhecem Moltor, mas acredito que vocês me conheçam também por... Gonçalves, estou correto?

Gonçalves abre uma maleta com seringas, cada uma contendo um líquido de cor diferente.

- Estas belezinhas me foram dadas por um amigo alemão. Diz ele terem sido utilizadas nos campos de concentração. Hitler nunca fracassou em uma tortura, utilizando-as. São bastante famosas, em seu local de origem.

Grunhidos disformes são ouvidos das vítimas, abafados pela mordaça.

- Tenham calma, amigos. Estas seringas não matam ninguém...

Gonçalves aciona um interruptor, que acende uma luz e mostra inúmeros aparelhos de tortura.

- ...estas coisas, sim, matam. Façam suas preces, senhores.

A noite foi longa para alguns, curta para outros.

No dia seguinte, Moltor adentrava a limusine.

- Bom dia, senhor Moltor.
- Por favor, Jarbas. Chame-me de Gonçalves.
- Sim, senhor Gonçalves. Direto para o estúdio?
- Exatamente, estou com umas idéias novas, quero lançar um álbum novo. Sinto minha vida mudar.
- Bom saber de sua melhora, senhor.
- Agradeço o apoio, Jarbas. Vamos em frente.

Gonçalves foi feliz e rico para o resto da vida, e nunca mais sentiu a dor e tristeza que sentia antes.